Noa Noa apresenta “Língua” no ciclo LUA CHEIA, Arte na Aldeia | 24 jan. | Coêdo, Vila Real

Noa Noa © Rita F Santos

O ciclo de programação “Lua Cheia, Arte na Aldeia” desenvolvido pelos Peripécia Teatro, volta na lua cheia de janeiro à aldeia de Coêdo com o espetáculo “Língua”.

“Lua Cheia, Arte na Aldeia”, é uma iniciativa que pretende dinamizar em 2015 e 2016 o ambiente rural que envolve o espaço de produção e criação dos Peripécia Teatro localizado na aldeia de Coêdo.

A 24 de janeiro Noa Noa apresentará o seu espetáculo “Língua” pelas 20:30h na sede da Peripécia Teatro na Aldeia de Coêdo.

O público é convidado a levar o seu petisco e bebida para acompanhar a conversa com os músicos depois do espetáculo.

“Língua”

A liberdade criativa que se vivia na Europa da viragem do século XIX para o século XX1 encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores e músicos contemporâneos para novas linguagens e estéticas.
Todas as línguas mudam com o tempo. Evoluem e adaptam-se aos usos inovadores das comunidades, às suas idiossincrasias e hábitos. A língua não pode ser entendida como uma entidade imutável, estanque, parada ou desenhada no tempo e pelo tempo. Ela é, pelo contrário, resultado de uma dinâmica imensa da mesma forma e com o mesmo fulgor da comunidade ou da humanidade que muda… vagarosa mas imparável.
Dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, “Língua” é uma manta de sons “para além do Ebro” que resulta no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este novo projecto de Noa Noa viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade… Este é o segundo dia de viagem.
O nome do projecto é inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.

Filipe Faria: Voz, Assobio, Adufe, Udu, Melódica, Bansuri, Unhas de cabra, Guizos, Chocalhos, Vassouras, Ovos, Bombo, Colascione

Tiago Matias: Vihuela de 7 ordens, Guitarra romântica, Colascione, Voz, Bombo

O Conceito desta iniciativa é desenvolver a Arte em diálogo com espaços rurais. Um conceito que se desenvolve a partir do epicentro artístico do espaço de Criação dos Peripécia Teatro, estendendo-se, dentro das viabilidades técnicas e financeiras, a espaços de Adoufe e Vilarinho da Samardã, aproveitando os seus potenciais físicos, técnicos e criativos.

Nas noites de Lua Cheia, uma referência de calendário associada ao universo rural e à relação próxima com a natureza, haverá excelentes motivos para a reunião das pessoas. Pessoas da aldeia e da cidade. O pretexto é assistirem a espetáculos que obedecem a um conceito de programação eclético, familiar e inter-geracional.

Mais informações:
peripecia@peripeciateatro.com
960 293 046